A
Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou o Banco Bradesco S. A.
ao pagamento de indenização por danos materiais a uma bancária que ficou
incapacitada para o trabalho em decorrência de doença ocupacional. A
indenização, na forma de pensão mensal vitalícia, foi calculada com base na
última remuneração recebida por ela, tendo como limite a idade de 71 anos, a
ser paga em parcela única. Porém, o redutor de 30% habitualmente aplicado sobre
o pagamento de uma só vez será aplicado apenas sobre as parcelas vincendas, e
não sobre as vencidas. Sobre estas a Turma entendeu que deve incidir a
atualização monetária, por não terem sido pagas no tempo certo.
Entenda
o caso
A
bancária foi acometida de LER/DORT em decorrência da atividade exercida e teve
de ser aposentada por invalidez. O laudo pericial atestou a incapacidade total
para o trabalho, com dano e nexo de causalidade.
O
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP) deferiu indenização
por dano moral, mas julgou improcedente o pedido de reparação material. Segundo
o TRT, não houve extinção do contrato de trabalho, mas apenas sua suspensão em
decorrência da percepção dos benefícios do auxílio-doença acidentário e da
aposentadoria por invalidez. ‟Não
se justifica a pretensão, pois não restou configurado o efetivo prejuízo”,
concluiu o acórdão.
No
recurso ao TST, a bancária insistiu no direito à indenização por dano material,
sustentando ser induvidoso o prejuízo decorrente da doença. Segundo sua
argumentação, a concessão da aposentadoria por invalidez não inviabiliza o
direito à indenização por danos materiais, uma vez que esta diz respeito à
conduta ilícita do empregador por omissão na adoção de medidas preventivas.
O
relator, ministro Cláudio Brandão, assinalou que o artigo 950 do Código Civil
prevê que, no caso de incapacidade de exercício da profissão, é devida
indenização que abrangerá os danos emergentes, os lucros cessantes e pensão
correspondente à importância do trabalho para o qual a pessoa ficou inabilitada
ou à depreciação sofrida. O artigo 949, por sua vez, estabelece que, na
hipótese de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofendido deve ser indenizado até o
fim da convalescença. “Se da ofensa resultar perda ou redução da capacidade da
vítima de exercer o seu ofício ou profissão, o empregador tem a obrigação de
ressarcir os danos materiais mediante indenização deferida na forma de pensão
ou paga de uma só vez”, afirmou.
Redutor
Ao
deferir a pensão mensal em parcela única, o relator destacou que essa forma de
pagamento apresenta significativa vantagem ao credor, que pode resgatar
antecipadamente os valores da condenação. “Do mesmo modo, impõe necessária
ponderação quanto ao risco de excesso de onerosidade ao empregador, que deverá
dispor de quantia pecuniária vultosa de uma só vez”, observou. Essa ponderação
resulta, na maioria dos casos, na aplicação do redutor de 30%.
Para
o ministro Cláudio Brandão, no entanto, devem ser observados parâmetros
distintos para a correção das parcelas vencidas, referentes ao período entre a
data do afastamento e o efetivo pagamento do crédito. Sobre elas o relator
entende que deve incidir, mês a mês, a atualização monetária, nos termos do
artigo 459 da CLT e da Súmula 381 do TST, que tratam dos salários.
A
decisão foi unânime.
Processo:
RR-75800-91.2009.5.15.0061
Fonte: www.tst.jus.br

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